domingo, 27 de dezembro de 2009

QUE OUTRO MAR EU NÃO SEI?







Subi ao que pensei ser
o mastro mais alto da vida
só para te ver
onde sei
que o mar faz os seus ninhos

Foi lá que lançaste um grito
e as águas de novo
começaram a ser lavradas
ganharam outro sentido
e os teus olhos
não sei porquê
choveram nos meus

Para lá do azul
estou a ver-te
assertivo por sobre escombros
a desbravar claridades
a desmandar o trilho dos barcos

e eu pergunto-me

quem te soprou os passos
para este cais?

que outro mar eu não sei?

26 comentários:

Paula Raposo disse...

Extremamente belo o teu poema!! Que outro mar que não sabemos?!
Adorei.
Muitos beijos.

jrd disse...

Há mar e mares, poeta!
Abraço

A Senhora disse...

Certos "milagres" nos fazem parar e pensar.
Às vezes me pergunto: se não tivesse me casado teria os filhos que eu tenho, que amo tanto?
Beijos e Feliz 2010.

maré disse...

as águas onde afogamos o rosto
_____e eu pergunto:
é o azul uma claridade alucinante?
não sei porquê. é lá que os meus olhos se aninham.

*
um beijo Eufrázio
e um 2010 fabulosamente azul

Ianê Mello disse...

Lindíssimo...

"e os teus olhos
não sei porquê
choveram nos meus"

Poema repleto em lirismo.

Aproveito a oportunidade para desejar-te um feliz 2010, com muita paz, amor e poesia.

Um abraco fraterno e beijos poéticos.

Teresa Durães disse...

Os mares podem se cruzar mas são disintos. E a sua água provoca-no dúvidas

Virgínia do Carmo disse...

Que posso dizer? As palavras do Eufrázio caem sempre em mim com a cadência de um sorriso embrulhado numa lágrima... de tão belas!

Beijinho terno e grato, e um feliz 2010 - com muito mar!

Meg disse...

Mar Arável,

Há tantos mares - e luares - que não sabemos, meu caro!

FELIZ ANO NOVO

Um abraço

Contracena disse...

lágrimas, que com força de vontade e firmeza, adormecem.

Um BOM ANO também para si, "mar arável". Não tem frio? :)

Tudo de bom!

Anónimo disse...

Há sempre outro mastro
que desconhecemos...
Há sempre alguém que grita
por nós
sem sabermos...
Há sempre olhos que nos sentem
sem nos apercebermos...
Há sempre um ser novo
que desponta...
E um...
um pode ser nosso!!
ele flui...
cresce...
para cá do azul.

princesa

MARIA disse...

Feliz Ano Novo. Tudo de bom, igualmente.
Continue a navegar em ondas felizes.
:)

SraDeLua disse...

Não há mares que nos apartem... somente mares que nos unem mesmo que lançando-nos por outro(s) cais...

Obrigada pelas gentis palavras...

Sradelua

lino disse...

Há tanto mar que não sabemos!
Abraço

C Valente disse...

Belo poema e imagens
Saudações amigas

Maria disse...

Haverá sempre um outro mastro mais alto ainda. O que não faz lutar. O que nos faz correr. Provavelmente outro mar, outros mares também. Assim o encanto da eterna procura.

Um beijo

JPD disse...

Bendito marinheiro que conserva as graças do mar!

Excelente.

Saudações

anamar disse...

Ah!
este mar da nossa paixão.

este mar aonde todos os caminhos

nos levam...
Sempre belo , Eufrázio.

Beijo de sal

Maria Valadas disse...

"Quem te soprou os passos para este cais..."

Muito belo o poema, Eufrázio Filipe!

BOM ANO DE 2010 COM SAÚDE, PAZ E AMOR!

Beijo.

Chris disse...

Um mar onde os barcos trilham mais um caminho - poderá ser poesia.
Um excelente 2010!
Um beijo
Chris

Licínia Quitério disse...

E assim vamos em demanda de outros mares. De outras marés. Que as há. Com elas virão os novos barcos.

Que o novo ano te traga paz e claridade.

mfc disse...

É uma pergunta que muitas vezes deixamos no ar...

Hellag disse...

há sempre alguém neste mar...arável...desbrabável...magnificos, o poema e pintura...

heretico disse...

esse, meu caro Poeta, o Mar que não dominamos - o assertivo olhar sobre os (nossos) escombros...

mas "quem aos seus sai, não degenera!", diz-se por aqui. e eu acredito!...

abraço (e uma pontinha de emoção)

Walkyria Rennó Suleiman, disse...

sempre bom navegar no teu mar

antonio - o implume disse...

Nunca subas a nenhum mastro, em particular se te parece ser dos mais altos, não é aí que seguramente se escuta o mar que desconhecemos...

gabriela rocha martins disse...

belíssimo este teu poema com cheiro a lenha de natal



.
um beijo