segunda-feira, 26 de maio de 2008

MEMÓRIA TATUADA

Le premier jour




Acordei assim

a fazer versos

ou quase nada



na memória tatuada



aqui

onde pastamos com os animais

um rumor de plantas

aqui

onde as línguas mergulham

na saliva das palavras

e se consomem em cânticos

até às cinzas

aqui

onde cuspimos no ar

uma povoação de sílabas

que fazem falta

para esculpir uma pedra

que fale por gestos

aqui

prenhes de ventos

fresquíssimos

nas bocas abertas

onde respiramos

outras madrugadas



Acordei assim

a fazer versos

ou quase nada



na memória tatuada

aqui

onde o deserto e a sede

têm uma janela aberta

um eco silvestre

que nos bate à porta

para ouvir e gritar



aqui

onde tu dançavas

eu fingia tocar violino

e o mundo acordava



21 comentários:

Licínia Quitério disse...

e o dia voltou a ser o primeiro. enquanto fingias que tocavas.

Donagata disse...

Acorde sempre assim, a fazer versos ou quase nada...
que eu ficarei por aqui, também acordada, a saboreá-los tentando tatuá-los na memória para depois os recordar

C Valente disse...

Saudações amigas

Maria disse...

é um excelente acordar.
aqui.

beijos

Coragem disse...

Fiquei fascinada ao ler a sua poesia, lindo mesmo, onde as palavras ganham vida e a musica é feita de letras.

É aqui que me questiono, não anda este lugar de tanta gente, onde todos navegamos, um pouco a dormir...

Há quem escreva 3 linhas, sem qualquer nexo, e os aplausos caiem do nada, aqui respira-se melodia...

Reparei que me linkou, sinto então liberdade para fazer o mesmo.

Bj

Teresa Durães disse...

este acordar inspirado faz com que o mundo brilhe mais

jrd disse...

No despertar do poeta, a marca da memória.
Muito bom!

poesianopopular disse...

É sempre tempo de acordar
Mesmo d,um sono profundo
continuando a sonhar,
Que vamos acordar o Mundo!
O grande poeta Sebastião da Gama disse,"É pelo sonho que lá chegaremos"
Abraço

CCF disse...

O amor é que devia ser o combustível necessário para fazer funcionar o mundo.
~CC~

hora tardia disse...

tatuar o amor como se de amor todos fossemos famintos!

.


belíssimo.



.


beijo.

herético disse...

acordar o mundo em acordes violino. apenas os poetas são capazes de o "fingir". como seiva necessária...

belo. o teu Poema

abraço

gabriela r martins disse...

apenas


um beijo POETA

Graça Pires disse...

aqui
onde as línguas mergulham
na saliva das palavras
faz-se boa poesia. Um abraço.

Justine disse...

E ao ler-te, ouve-se bem o violino, fingido que seja.
Bom ler-te

maria josé quintela disse...

belíssimo despertar


neste quase nada


que é tanto!


um beijo.

éme. disse...

Há dias em que precisamos assim, de uma palavra perfeita para nos fazer
Acordar!
Grata pela de hoje, sim?
:)

mariam disse...

tão bonito, li veloz, depois, voltei a ler, devagarinho...

"onde tu dançavas
eu fingia tocar violino"

e se todo o Homem e Mulher entrassem num filme assim todos os dias ao acordar??? seria ... perfeito!

um sorriso :)

Maria Laura disse...

Palavras límpidas, de pura poesia. Que belo!

Anónimo disse...

Aqui

Mergulho
nas tus palavras
escuto
o teu silêncio
contemplo
o que está
para além da tua janela...
silenciosamente!

princesa

un dress disse...

aqui onde este

espelho

dançava






:) lindo! beijO

Ana Paula disse...

Acordar assim, vale bem a pena... As tatuagens da minha memória vêm sem inspiração...
Mas... por aqui, a poesia domina sempre com a beleza da simplicidade e a autenticidade que é preciso escrever e ler!

Parabéns! :)