quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

OS PÁSSAROS DO CARIBE

lmgde artmam.com





O sol - num amplo estuário de fulvas e bífidas línguas


afagava terno e doce a pele das alcalinas águas -


a fausta piscina.


No cristalino manto,a minúscula ondulação emprestava às águas uma tremulina quase natural,


cúmplice dos azulejos que a barravam de um azul


aparentemente celeste.


Em redor do magnífico espaço - vegetação tropical,


alguns pássaros assustados e muitos turistas.


Do palco engalanado,sublinhadas as cores quentes


dava início à salsa um grupo tradicional de bailarinas


semi-nuas - que irromperam - mulatas,esculturais


afrodisíacas - água adentro,até se diluirem nos olhos


gulosos da assistencia.


Voámos.


Na verdade - aos pássaros do caribe,só lhes falta


falar.


O s mais gordos e polícromos são os que frequentam


o restaurante Alcobacara,os ares puros do oceano


e dos cohibas,onde o pão das mesas,esfarelado -


é para repartir.


Estávamos neste céu quando fomos surpreendidos


por um casal que poisou - um no meu prato,


o outro no meu ombro.


Sempre ao ritmo da salsa,entendi por bem colaborar.


Desisti dos talheres e só reiniciei o repasto quando


o do prato pestanejando os olhos se refastelou.


As bailarinas continuavam a fazer milagres,


sublimes garatujas corporais - enquanto agradecido


fiquei ao pássaro,que pipilando,esfregava as patinhas


encardidas e larava às riscas,no meu ombro.


Delicadamente perguntei ao empregado,


que orgulhoso assistia ao tratamento.


- Será que me resolveu o problema da tendinite?


- A saúde pública é o rosto da nossa revolução.





O sol brilhava.Encantádos assim ficámos


a sorrir, nos olhos dos pássaros.






22 comentários:

herético disse...

ora, nem mais! para tanto se fez a Revolução. também...

abraços

isabel mendes ferreira disse...

os olhos dos pássaros são generosos?


pergunto.




abraço. Mar.

Graça Pires disse...

É de ficar a sorrir nos olhos dos pássaros...
Um abraço.

Donagata disse...

Que saudades dos coloridos e atrevidos pássaros caribenhos nossos alegres companheiros de refeição... E dos melros que connosco partilham a mesa e o cubo de açucar que não coloco no café nos agradáveis quiósques do Jardin des Tulleries... E das rolas em Lanzarote...

hfm disse...

O voo do pássaro que nos habita.

Carla disse...

Poética esta viagem idílica por CUba

Maria P. disse...

É de voar nas tuas palavras...

jrd disse...

Países há onde os pássaros nos pousam nos ombros. Longe de outros onde lhes cortam as asas para que não voem.

Cadinho RoCo disse...

Existem momentos interessantes na vida. Ou voamos, ou servimos de pouso.
Cadinho RoCo

Anónimo disse...

muito bonito
venha participar no cantinho www.luso-poemas.net

vai adorar

un dress disse...

não há outra forma de se ficar nos olhos dos pássaros.

no mais purO encantamento.

neste registo poético

da tua irónica beleza. :)






.beijO

teresamaremar disse...

Céu, mar e pássaros... a liberdade de voar em azul sobrevoando azul...

Gi disse...

Ganhei asas e voei . também me encantei com a tua história, não fosse eu uma amante de pássaros.

Um beijo, bom fim-de-semana

C Valente disse...

" A sa�de p�blica � o rosto da nossa revolu�o"., principalmente a saude mental
Boa imagem
sauda�es amigas

Miosotis disse...

Sim... é possível 'sorrir nos olhos dos pássaros'.

Sensibilizada pelo olhar poisado em 'fragmentos'!

gabriela r martins disse...

guardador de pássaros
e
que mais?

.

ao mar

.

em tom
de
confidência

.

alguém falou de revolução?
onde?
quando?
como?

.

bem me parecia que tinha sonhado com dinossauros voadores

.
.
.



um beijo

gaivota disse...

voar, voar, voar
nas asas deste pássaro...
beijos

bettips disse...

Pois, as memórias...
O rosto de quê?
A revolução foi em muitas frentes, em tantas que ninguém imagina.
E não parece, no estado em que se vêem as coisas.
Abrç

pin gente disse...

gostei da tua salsa
tão movida
tão alternada
a verdadeira salsa
para quem a sabe dançar

salsamos?!

nana disse...

:o)

Luís Galego disse...

O sol brilhava.Encantádos assim ficámos


a sorrir


assim, de facto, permaneci ao ler o poema...

Mateso disse...

Sublime.
Pássaros...que nova trouxeram? que nova?
Oh, apenas imaginação...
Um colorido terno de moviento, cor e doçura e... um salpico de esperança.
Beijo.