sexta-feira, 10 de agosto de 2007

ÁGUA DE MIM

La muralla/laluzdelasflores






Cantas e feres água de mim

nos meus claustros de vinhedos



As tuas asas de papoila silvestre

procuram alimento nesta graça

longe das multidões



procuram o ofício da luz

a candeia para lá de todos os silêncios

o meu regato preferido

para continuar a respirar-te por guelras



Por aqui água de mim passas devagar

corres tranquila

só para distribuires pela boca das sementes

um rasto de vida

sorvida no chão que pisamos



Ajudas-me a cantar e a ferir este silêncio

que me faz falta

para ti



10 comentários:

Anónimo disse...

bendita água.


lustral.




____________

.piano.

Maria disse...

É um belo poema de amor, pois então!
Abraço

Maçã de Junho disse...

Asas de papoila silvestre
procuram o oficio da luz
e na boca das sementes
sorvidas no chão que pisamos
Ajudas-me a cantar (...) este silencio.


Brincadeirinha....


Boa semana
Maçã de Junho

Vieira Calado disse...

"Água de mim" é uma imagem desusada
e que é bem encadeada no poema.
Bom Domingo.

Isabel-F. disse...

um belo poema _____-
parabéns.
adorei________

bjs

Licínia Quitério disse...

Água de ti, silenciosa fonte de mais vida.

Muito bonito. Mesmo.

Anónimo disse...

"Para ti"
Que cantas a papoila silvestre...
Que alimentas cada espécie do teu refúgio...
Que escutas o silêncio e lhe dás forma...
Que observas a partir dos teus "claustros de vinhedos" a natureza que te envolve e te inspira...
Que te refrescas na água do teu "regato preferido"...
...Continua a regar o chão e o coração daqueles que te merecem,
"água de mim".
princesa

aquilária disse...

é a voz das sementes que rasga o silencio da terra húmida,quando as palavras correm como água - fonte de luz.

um abraço - e obrigada pela visita à minha ínsua

herético disse...

procurar o "ofício da luz". é um verso muito belo. como todo o poema. excelentes imagens.

abraços

SILÊNCIO CULPADO disse...

O mundo é das pessoas que o vêem e que o sentem. Que não têm uma relação fria com as coisas. O mundo é teu porque fostes capaz de sentir e escrever tudo isto.Que bom que é ter essa capacidade de amar expressa neste poema!...