quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

ATÉ A LUZ SE FAZER DIA






Com barcos às costas
num sopro de vento
de porto em porto
a dobrar esquinas
a desbravar marés
a comer pedras sem destino
construtores de lonjuras
irreprimíveis

para lá das taprobanas
contra torvelinhos
silvestres
a domar escarpas
ao sabor das aves
que de tão abruptas
só poisam nos mastros

Num sopro de vento
andamos a desbravar 
arestas ruínas tempestades
até as águas correntes
se libertarem das crinas
invadirem o chão
para desassossego das sombras

de porto em porto
até a luz se fazer dia



eufrázio filipe

(chão de marés)



14 comentários:

Marisa Giglio disse...

LINDO , LINDO , POEMA .

Um 2020 com saúde , poesia , amor e sucesso à você e família .
Grande abraço

Boop disse...

Um barco ancorado faz sempre adivinhar viagens.
A mim impressiona-me sempre como se fazem ao mar os homens em cascas de noz.
MAs é sem dúvida uma excelente metáfora para tantas outras aventuras da vida

Rosa dos Ventos disse...

De porto em porto num contínuo desassossego!
Lindo o poema!

Abraço

saudade disse...

Até a luz se fazer dia.... e que esse dia amanheça lindo e radiante....
Um excelente 2020

Anónimo disse...

Para chegar a algum lugar, é sempre preciso desbravar.

manuela barroso disse...

E é sempre a incógnita viajando na quilha apartando as águas rumo ao desconhecido
Que volte ao morrer do sol
Lindo como sempre
Beijinho EF!

Teresa Almeida disse...

A luta , a beleza e a ânsia de desbravar.

Um beijo.

Majo Dutra disse...

Com uma força audaz, indómita, poderosa, invencível...
Poema muito belo, Amigo... Bj

Elvira Carvalho disse...

Um barco atracado são sonhos aprisionados.
Abraço e uma boa semana

Graça Pires disse...

Desbravas escarpas, de porto em porto, com barcos às costas. Só porque o mar se fez chamamento no teu peito… Tão belo, o poema, meu Amigo!
Uma boa semana.
Um beijo.

© Piedade Araújo Sol disse...


de porto em porto
até descobrir o bom porto

muito belo o seu poema!

beijinhos

:)

teresa dias disse...

"Num sopro de vento
andamos a desbravar
arestas ruínas tempestades
até as águas correntes
se libertarem das crinas
invadirem o chão
para desassossego das sombras"

Nunca desistir. "Até a luz se fazer dia".
Gostei muito, poeta!
Beijo.

Agostinho disse...

No "desassossego das sombras" estará a invencibilidade da luz. Apesar de todos os revés navegar é o prémio e a verdade.
Muito boa, Poeta.

Agostinho disse...

Reveses