quinta-feira, 25 de março de 2010

MAIS VERMELHA QUE OS TEUS LÁBIOS

óleo de SVETLANA NOVIKOVA



A noite carregava
a sua própria sombra
mas nós carregávamos uma noite
que não era a nossa

quando uma luz de sal
despontou nas paredes do cais
para ergueres as pálpebras
e veres claramente
espalhadas no chão dos barcos
o que pareciam ser
as últimas flores do Inverno

Tu sabias
que estavam a medrar
novas marés
quando subiste à gávea
dos barcos ancorados
para confirmar o rosto branco
da madrugada

Tu sabias
que alguém andava
a lavrar desertos
para nascer uma flor
mais vermelha que os teus lábios




38 comentários:

São disse...

Haja poesia tão bela quanto a tua para nos lavar a alma de tanta coisa feia que nos atiram á cara!

Um abraço.

Delirius disse...

... a net fugiu-me e o meu comentário perdeu-se :((( e já não sei repôr as palavras...

Senti que tens no coração uma tamanha saudade...., e tens também uma paixão fascinante, para que possa ser comparável a uma imagem como a desse óleo...

O teu poema é de uma beleza incomparável e impressionou-me particularmente a última parte:

"Tu sabias
que alguém andava
a lavrar desertos
para nascer uma flor
mais vermelha que os teus lábios"

Beijo.

Ianê Mello disse...

Lindo poema!

Parabéns!

Bj.

Véu de Maya disse...

Puro como vento forte...Belo.

abraço

margusta disse...

Amigo,

...Belíssimo poema !

Quantas vezes carregamos uma noite que não é nossa...mas...haja sempre essa maravilhosa esperança de que alguém lavra desertos para nascer uma flor...lindo demais!

Adorei também a pintura escolhida.

Um beijo e um dia Feliz!

Margusta

Meg disse...

Este poema aqui, quando carrego a noite duma grande decepção envolta em sombras de má-fé que não vi. Eu!

Um abraço

jrd disse...

Nos lábios da Primavera a tua poesia é vermelha.
Abraço

Maria disse...

A tua poesia enrola em mim todos os seus arquétipos.

Graça Pires disse...

É no deserto que nascem os feiticeiros da sede. E as feiticeiras também...
Um belo poema, amigo.
Beijos.

Meg disse...

Entre o poema e a tela... qual deles o mais belo. Lindos!

Beijo

lino disse...

Se alguma vez for ao deserto gostava de trazer de lá um cravo vermelho.
Abraço

José Carlos Brandão disse...

Gostei, poema muito bom. Sensual, como deve ser a poesia, sugestivo, envolvente. Os adjetivos ficam pobres diante da beleza do peoma.
Abraços.

mdsol disse...

:)))

Maria João disse...

Quantos desertos estão á espera, de serem lavrados... quantos jardins de serem plantados..

E há tanta gente que não sabe disso...

Um abraço

quicas disse...

Amigo, parabéns: por aqui, sempre a "medrar" a magia das palavras sentidas em verso! Mais um belo poema, como sempre!
Abraço

poetaeusou . . . disse...

*
um belo poema,
parabéns !
,
o vermelhão do ocaso,
entra na noite dos sonhos
onde a barca da madrugada
espera o cais da manhã .
,
avermelhadas conchinhas,
ficam,
*

Virgínia do Carmo disse...

Venturosas as rosas que nascem dos desertos... assim como as palavras...

Bjos

Mar Arável disse...

VIRGÍNIA

porque não as rosas

se os cravos existem

vermelhos

Virgínia do Carmo disse...

Mais vermelhos ainda, Eufrázio... como sangue...

Bjos :)

heretico disse...

que as marés cresçam. e as mulheres de vermelho se ergam. com uma flor nos lábios...

abraço, Poeta.

Justine disse...

Uma imensa força neste poema,diria para além da força da poesia e da beleza...

Sonia Schmorantz disse...

Quero ser o teu amigo. Nem demais e nem de menos. 
Nem tão longe e nem tão perto. 
Na medida mais precisa que eu puder. 
Mas amar-te sem medida e ficar na tua vida, 
Da maneira mais discreta que eu souber. 
Sem tirar-te a liberdade, sem jamais te sufocar. 
Sem forçar tua vontade. 
Sem falar, quando for hora de calar. 
E sem calar, quando for hora de falar. 
Nem ausente, nem presente por demais. 
Simplesmente, calmamente, ser-te paz. 
É bonito ser amigo, mas confesso é tão difícil aprender! 
E por isso eu te suplico paciência. 
Vou encher este teu rosto de lembranças, 
Dá-me tempo, de acertar nossas distâncias...
Fernando Pessoa

Um domingo de paz e amor junto aos seus!
abraço

Sofá Amarelo disse...

E as flores vermelhas já pululam pelos campos desenhados das madrugadas.

Abraços

maria manuel disse...

belo poema, sempre com uma imagética marítima, a anunciar primavera.

abraço.

Licínia Quitério disse...

Lavraremos desertos para que uma flor vermelha se apresente. Fá-lo-emos.

Abraço, Amigo.

Maria P. disse...

Que seja uma flor vermelha.
Linda esta Primavera de palavras...

Beijinho*

maré disse...

a flor

refúgio

último reduto

do verdugo da sede.


------

as papoilas aparecem

até nas escarpas mais agrestes

beijo Eufrázio

pin gente disse...

serão papoilas, senhor!
livre papoilas adejando com o vento que te beijarão os lábios.

as tuas palavras fazem ver uma bela imagem.

um abraço
luísa

SILÊNCIO CULPADO disse...

Mar Arável

Este é um poema feito de poesia. Um poema de amor, de beleza e significado.


Lindo.


Abraço

antonio - o implume disse...

Que não sejam precisos desertos para que se destaque uma flor...

Fa menor disse...

A noite apaga-nos na sombra
mas na madrugada se abrem as flores à luz.

Boa Páscoa!

bjos

utopia das palavras disse...

Lavrando desertos
conquista-se a terra,
para que cresçam
todas as flores!

Belo poema, amigo!

Abraço

Graça disse...

sempre belas, as tuas palavras, que lavram desertos...


um beijo e boa Páscoa

tulipa disse...

Venho agradecer a tua presença na minha vida e as doces palavras que sempre me diriges.

Dentro de dias um dos meus blogues faz o 2º aniversário, queria estar pronta para a festa...não sei se terei forças.

Muito próximo da Páscoa, aqui te desejo uma Boa Páscoa.

Estou a regressar muito lentamente, depois de 8 dias de internamento; agora ainda vou ficar mais uns dias de cama mas já em casa. Tem sido muito complicado!

Beijos.

MAR disse...

PRECIOSO POEMA!
Cariños para ti desde Chile.
mar

Chris disse...

As tuas palavras iluminam o espaço, como o rosto branco da madrugada...
Um abraço e uma excelente Páscoa
Chris

anamar disse...

Paixão
nas tuas palavras, como sempre ao rubro.

Beijos meus

OutrosEncantos disse...

foi aqui que me apaixonei pelas palavras que te escrevem.
julgo-me (modéstia à parte)ser merecedora de publicar este poema de um poeta que amo, no meu blog.
não peço licença.
aguardo o puxão de orelhas :)
beijo.

podes reclamar do que não gostares, que eu corrijo ou retiro :)**
outro beijo.