sábado, 18 de julho de 2009

NA CLARIDADE DAS ÁGUAS



Quem decide àcerca do curso
dos rios nem sempre
são as margens

Conheço rios que seguem loucos
as rotas das aves

Lembras-te
quando rasgámos
por uma fresta
os caminhos do mar?

O vento tinha nas veias
o ciclo das marés
e o teu corpo fluido
ainda hoje é um deus
à semelhança de um sopro
uma sombra linda

na claridade das águas

25 comentários:

José Carlos Brandão disse...

Talvez a maior iluminação - da poesia - seja a das águas. Não há maior claridade. Essa é a claridade original.

Abraços.

Paula Raposo disse...

Belo o teu poema e a imagem escolhida! Gostei imenso. Muitos beijos e óptimo fim de semana.

Arabica disse...

Dos rios insubmissos que nos teimam.

Abraço.

A Senhora disse...

"Lembras-te

quando rasgámos

por uma fresta

os caminhos do mar?"

Às vezes entro aqui e fico a achar que, de alguma forma, colocou em palavras pensamentos que não pude expressar. :)

Docilidade de amar...

bjs

Mateso disse...

O belo é perene na liquidez da memória!
Bj

jrd disse...

Palavras liquidas e transparentes, as tuas, Poeta do Mar.
Abraço

maria josé quintela disse...

o corpo fluido a decidir o curso dos rios é uma imagem poética belíssima!



um beijo.

hfm disse...

Há poemas que rasgam e nos trazem a claridade. Este é um deles.

Licínia Quitério disse...

E é dos rios loucos que falamos. Indiferentes às margens. Belo poema e bela foto.

utopia das palavras disse...

Uma enorme onda de água clara nas palavras que li...
Belo poema!

beijo

Ana Paula disse...

Numa fase de descanso, sabe muito bem ler esta poesia cheia de beleza aquática... :))

Bom domingo!

Justine disse...

Ah, esta capacidade poética de mover montanhas, rasgar margens, fazer ondas! A magia da palavra

Isabel disse...

e eu decido que nesta subtil claridade há a ductil sabedoria dos dedos que rompem a sombra de todas as palavras.!!!!


na margem fica o seu verbo....tão fluido....


abraço muito amigo.



(piano)

maré disse...

eu também conheço Eufrázio

e digo:
nem sempre a razão
conduz a humanidade.
lembras-te
quando o sonho
alimentava as mãos dos homens?

___
um bejo, à porta do mar

Teresa Durães disse...

os ciclos que nos mostram a vivência completa

martelo disse...

as palavras fluem como um rio naturalmente.

as velas ardem ate ao fim disse...

Apetece me dizer:Limpido!

um bjo

Graça Pires disse...

"Conheço rios que seguem loucos
as rotas das aves" Eu também.
Um poema muito belo.
Um abraço.

poematar disse...

Belíssimo poema;claro e orgânico - sem mais comentários. Um beijo.

Marta disse...

por aqui, as palavras continuam sempre a dizer-me muito!
Obrigada!

Miosotis disse...

... nem sempre são!
Miragens de águas serenas...

Ad astra disse...

na rota das aves...

lindo!

maria m. disse...

e as palavras fluem como as águas, de uma beleza original...

gostei muito.

Luís Galego disse...

O vento tinha nas veias

o ciclo das marés

E o Eufrázio tem nas veias

o ciclo da grande poesia

gabriela rocha martins disse...

deixas.me mergulhar nas águas deste teu rio?



.
um beijo