terça-feira, 8 de maio de 2007

SEREIAS NO SEU REFÚGIO








Feríamos a água

de tanto remar

e nem sabíamos bem porquê





estávamos no tempo dos jacintos

e queríamos inexplicavelmente

ouvir a sabedoria das marés

a respiração dos sapais

semear gestos nos sulcos da água





Clandestinos lá fomos devagar

à descoberta do princípio do mundo

prateados como os olhos dos peixes

e dos arados





Humedecidas pela brisa

lá estavam as sereias no seu refúgio

em lençois de linho e púrpura

sitiadas à nossa espera

a cantar os novos impérios





e nem sabíamos bem porquê




6 comentários:

Maria disse...

Nunca tinha pensado que podíamos ferir a água com os remos…

Gosto da ligação que fazes entre as marés, os sapais, os arados…
Haverá sereias no Tejo?

Alexandre disse...

«semear gestos nos sulcos da água»

Passamos a vida a semear gestos nos sulcos da água, e nos sulcos da brisa... mas acabamos sempre por perguntar: porquê??? E para quê???

Um abraço!!!

Sofia Loureiro dos Santos disse...

Gostei muito.

un dress disse...

não havia porquÊ.

a.s.s.i.m

era.






beijO

Anónimo disse...

Ser poeta é um dom que só alguns detêm;
Ser poeta é conseguir penetrar no indizível, traduzi-lo e dar-lhe forma, criando os contornos mais adequados;
Ser poeta é ser para além do ser; É transportar amor para além do azul...
Há os que se julgam e há os verdadeiros, como é o seu caso Romeiro! Parabéns!Pelo estilo e conteúdo.

Anónimo disse...

Ser poeta é um dom que só alguns detêm;
Ser poeta é conseguir penetrar no indizível, traduzi-lo e dar-lhe forma, criando os contornos mais adequados;
Ser poeta é ser para além do ser; É transportar amor para além do azul...
Há os que se julgam e há os verdadeiros, como é o seu caso Romeiro! Parabéns!Pelo estilo e conteúdo.

Augusta