Ao fundo neste Inverno dissonante cães de lume incendeiam sopros de vento nos recortes da serra rasgam-se em sombras ladram silêncios às flores silvestres mas tu resistes continuas a lavrar grãos de areia e a chuva cai desgrenhada nos teus cabelos surpreende-me em pleno voo a ouvir-te cantar não digas nada que seja apenas o que os olhos vêem fala-me por gestos
Escrevo em voz alta num acervo imaginário para celebrar silêncios a maturidade dos pássaros oiço a tua voz indomável de mãos nos ouvidos a inocência oculta num jogo de transparências e assim vem à tona uma nesga de luz quando escrevo mar nos teus olhos Eufrázio Filipe
Recolhido neste chão de mares desnavegados onde despontam camélias e outros fascínios quando me curvei para beijar uma flor simplifiquei o teu corpo desvendei uma pedra
Neste Inverno rigoroso de mares adocicados todos os destinos com acesso remoto aos esconderijos do teu corpo começaram a despir memórias que desvendam palavras interditas mas porque nada é urgente beijámos as pedras plantámos uma árvore no cais Eufrázio Filipe