na verdade a água corpo líquido de mulher tem segredos escondidos no fundo das pedras alimentos de fogo talvez uma praia onde se fundem areias e lábios um piano de luzes que determina o tempo das estações
ainda bem que tens ilhas selvagens sinais apócrifos que se desnudam em gestos simples no pestanejar de uma vírgula
na verdade a água sabe rir e chorar no espelho das próprias lágrimas no rumor das maresias e eu descobri uma vez mais que tens poros por onde respiras silêncios escarpas por onde escorrem salivas que te ergues e desmoronas abrigo e mensageira te desprendes do chão ou hibernas nos corais
Que bom ainda hoje partilhar contigo este despertar aprender vida fora a descobrir-te como se fosse a primeira vez deixar por um instante a outra água para os peixes se moverem