quinta-feira, 12 de novembro de 2015

GARATUJAS ( 8 )


                                aceitei o desafio do meu neto para escrever uns textos como se fossem garatujas

Dormiste bem? 

Passei pelas brasas. O galo fartou-se de cantar. 
Estamos numa casa de campo para descansar. 

Mas tu também ladras às estrêlas. 

Tens razão, nós é que invadimos o seu espaço. 
Na cidade dormia bem com ruído, aqui oiço pássaros de todas as cores e protesto. 

Oli - quem sabe um dia na diferença da voz, daremos um concerto, fora do coreto, sem gente estranha a ouvir. 

Se for em família até podemos convidar a cadela da vizinha. 

A cadela da vizinha não canta - vive só. 

Por vezes sós mas nunca isolados. 

eufrázio filipe

  

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

GARATUJAS ( 7 )


                                Aceitei o desafio do meu neto para escrever uns textos como se fossem garatujas 




 Chegámos. Era Outono. 
As videiras estavam podadas e a casa ao fundo à nossa espera. 
Visitámos os galinheiros. Aplaudimos um bando de rolas, apanhámos uma romã e olhámos em frente para o castelo. 
O silêncio afagava todo o espaço como se estivéssemos no princípio do mundo. 
Avô - aqui só falta o jardim que eu não tenho na escola. 
Tens razão. Vamos plantar sonhos. 
Estás de acordo Oli? 
Eu sou um cão da cidade com vistas para o mar. 
Aqui só vejo terra, muita terra, muita terra. 
Logo à noite vou ladrar para as estrêlas me orientarem nesta aventura. 
Oli - queres dormir no galinheiro?
Um cão como eu só pode dormir a céu aberto. 
Mesmo que chova no paraíso. 

eufrázio filipe
 

terça-feira, 10 de novembro de 2015

GARATUJAS ( 6 )


                                                     Aceitei o desafio do meu neto para escrever uns textos como se fossem garatujas 


Oli - tenho uma novidade. 
O avô tem um espaço rural para nós. Não é muito grande mas dá para todos. 
Queres vir? 

A quinta tem portão? 
Tem mas não é para te prender é para os outros não entrarem. 

Quando vamos à quinta?
Quando despontar uma nesga de sol. 
Então vamos amanhã. Ontem à noite quando ladrava para o céu, vi uma estrêla a brilhar nos meus olhos. Foi o sinal, porque nem todas as estrêlas olham para mim. 

E foi assim.
No dia seguinte lá fomos a caminho do paraíso. 

eufrázio filipe 

                                 

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

GARATUJAS ( 5 )


                                                   Aceitei o desafio do meu neto para escrever uns textos como se fossem garatujas 




O Outono brilhou por uma nesga e nós decidimos passear. 
Lá fomos a cantarolar. Música minha, letra do meu avô com arranjos do Oli. 

Pelo caminho até ao jardim da aldeia alguns cães sem abrigo juntaram-se a nós. 
Não sei porquê. 
Talvez gostássem da cantoria. 
Cumprimos o objectivo, chegámos ao coreto. 
Quando nos preparávamos para o concerto, o Oli disse em voz alta. 
Não canto mais. Está aqui muita gente desconhecida. 

A música acabou. 
Começou a chuviscar e os cães choraram. 
 

eufrázio filipe

 

domingo, 8 de novembro de 2015

GARATUJAS ( 4 )


                                              Aceitei o desafio do meu neto para escrever uns textos como se fossem garatujas                                    
   

    Antes de falar com o cão, falei com o avô, que me deu um conselho. 
  
  Se o animal é teu amigo dá-lhe um nome. 
  
  Foi assim. 
  Deitei-lhe um copo de água na cabeça e chamei-lhe OLI. 

   Ele estranhou. 
   Abanou-se todo. 
   Repeti - Oli, Oli, Oli. 
   
   Parece que o estou a ouvir. 
   
   Ninguém pede para nascer. 
   Podias ter evitado o copo de água. 
   Não pedi nada, nem para ser baptizado, mas se foi da tua vontade, aceito que me chames Oli. 
   
   Eu vou chamar-te Timóteo 
   porque já ouvi o teu avô. 

   Aprecio as coisas simples da vida      



      eufrázio filipe