quinta-feira, 15 de outubro de 2015

ATÉ A LUZ SE FAZER DIA


                                                              Justyna Kopania                           
                                                                                   
                          

Com os barcos às costas
num sopro de vento
de porto em porto
a dobrar esquinas

a comer pedras sem destinos
construtores de lonjuras
irreprimíveis

para lá das taprobanas
contra torvelinhos
silvestres
a domar escarpas
ao sabor das aves
que de tão abruptas
só poisam nos mastros

Num sopro de vento
andamos por aí a desbravar
arestas ruínas tempestades
até as águas correntes
se libertarem das crinas
invadirem o chão
para desassossego das sombras

De porto em porto
até a luz se fazer dia


 Eufrázio Filipe

"Presos a um sopro de vento"

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

ABRAÇO DE LIMOS





No movimento
das mais profundas águas
há palavras
que se envolvem
frementes em círculo
no ouvido dos búzios

quando vêm à tona
num abraço de limos
despertam em partículas
o coração das pedras

nas paredes da casa
aprendem a escutar
os teus retratos


Eufrázio Filipe
 

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

SÓ NOS FALTAVA SEDUZIR OS PÁSSAROS




A remoinhar
no mais íntimo da pele
tínhamos quase tudo 
tão perto das mãos
que nem lhe podíamos tocar

amanhãs 
e outros destinos

Só nos faltava
subir às pedras deste chão

impedir nas mansas águas
que o sonho rebentasse
onde as estrelas vicejam
sem quebrantos

Tínhamos quase tudo 

até um pomar de faúlhas
para alumiar o fulgor do canto 

Só nos faltava
seduzir os pássaros


EUFRÁZIO FILIPE
"Presos a um sopro de vento"

 

domingo, 4 de outubro de 2015

PAÍS ALBARDADO




Não podemos mudar de povo mas quando o PS decidir mudar de condomínio tudo será diferente - assim - as misérias e a instabilidade social vão continuar, até às próximas urnas. 

Confrange ver o país albardado. 

sexta-feira, 2 de outubro de 2015