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Justyna Kopania
Com os barcos às costas
num sopro de vento
de porto em porto
a dobrar esquinas
a comer pedras sem destinos
construtores de lonjuras
irreprimíveis
para lá das taprobanas
contra torvelinhos
silvestres
a domar escarpas
ao sabor das aves
que de tão abruptas
só poisam nos mastros
Num sopro de vento
andamos por aí a desbravar
arestas ruínas tempestades
até as águas correntes
se libertarem das crinas
invadirem o chão
para desassossego das sombras
De porto em porto
até a luz se fazer dia
Eufrázio Filipe
"Presos a um sopro de vento"
No movimento
das mais profundas águas
há palavras
que se envolvem
frementes em círculo
no ouvido dos búzios
quando vêm à tona
num abraço de limos
despertam em partículas
o coração das pedras
nas paredes da casa
aprendem a escutar
os teus retratos
Eufrázio Filipe
A remoinhar
no mais íntimo da pele
tínhamos quase tudo
tão perto das mãos
que nem lhe podíamos tocar
amanhãs
e outros destinos
Só nos faltava
subir às pedras deste chão
impedir nas mansas águas
que o sonho rebentasse
onde as estrelas vicejam
sem quebrantos
Tínhamos quase tudo
até um pomar de faúlhas
para alumiar o fulgor do canto
Só nos faltava
seduzir os pássaros
EUFRÁZIO FILIPE
"Presos a um sopro de vento"
Não podemos mudar de povo mas quando o PS decidir mudar de condomínio tudo será diferente - assim - as misérias e a instabilidade social vão continuar, até às próximas urnas.
Confrange ver o país albardado.