segunda-feira, 5 de outubro de 2015
SÓ NOS FALTAVA SEDUZIR OS PÁSSAROS
A remoinhar
no mais íntimo da pele
tínhamos quase tudo
tão perto das mãos
que nem lhe podíamos tocar
amanhãs
e outros destinos
Só nos faltava
subir às pedras deste chão
impedir nas mansas águas
que o sonho rebentasse
onde as estrelas vicejam
sem quebrantos
Tínhamos quase tudo
até um pomar de faúlhas
para alumiar o fulgor do canto
Só nos faltava
seduzir os pássaros
EUFRÁZIO FILIPE
"Presos a um sopro de vento"
domingo, 4 de outubro de 2015
sexta-feira, 2 de outubro de 2015
segunda-feira, 28 de setembro de 2015
NO PESTANEJAR DE UMA VÍRGULA
Olho-te como se fosse a primeira vez
na verdade a água
corpo líquido de mulher
tem segredos escondidos no fundo das pedras
alimentos de fogo
talvez uma praia onde se fundem
areias e lábios
um piano de luzes
que determina o tempo das estações
Ainda bem que tens ilhas selvagens
sinais apócrifos que se desnudam
em gestos simples
no pestanejar de uma vírgula
Na verdade a água sabe rir e chorar
no espelho das próprias lágrimas
no rumor das maresias
e eu descobri uma vez mais
que tens poros por onde respiras
silêncios escarpas por onde escorrem salivas
que te ergues e desmoronas
abrigo e mensageira
te desprendes do chão
ou hibernas nos corais
Que bom ainda hoje
partilhar contigo este despertar
aprender pela vida fora a descobrir-te
como se fosse a primeira vez
deixar por um instante
a outra água
para os peixes se moverem
Eufrázio Filipe
"CHÃO DE CLARIDADES"
terça-feira, 22 de setembro de 2015
O PÃO QUE LEVAMOS AOS LÁBIOS
Doem-me todos os muros
onde as silvas
se enleiam
mesmo que sejam
castelos
sibilinos nas ameias
Doem-me todos os muros
o mar inteiro
ancorado no cais
mesmo que benzidas as pedras
à revelia dos pássaros
Doi-me tudo no Outono
menos as romãs
a despontarem vermelhas
passo a passo
o pão que levamos aos lábios
Eufrázio Filipe
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