quarta-feira, 23 de outubro de 2013
sexta-feira, 18 de outubro de 2013
ONDE TEMOS POR HÁBITO ADORMECER
Estalajadeira
com mais longevidade
tantas voltas deu ao vento
pelos campos deste mar
que mais tempo temos
para morrer
Afastada dos belos precipícios
no seu jeito de ninfa
debruçada na escarpa
por sobre apeadeiros
nas paredes da casa
aguarda um barco
ou um bando de pássaros
mas sempre descobre histórias
inventadas
e recomeça a navegar
até a noite das luas cheias
se desvendar
num fio de música
onde temos por hábito
adormecer
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
AVIÕES DE PAPEL
Há noites tão pardas
que nem parecem noites
Se as noites sonhadas
fossem mares escancarados
poderíamos em carne viva
respirar uma flor
estremecida
no pestanejar dos olhos
assim
viajantes apócrifos
mais leves que o voo
nesta feira de pássaros
sem pátria nem rosto
como poderemos ver mais longe?
hastear um beijo
no outro lado do cais
ser de novo crianças
e fazer das palavras
aviões de papel
terça-feira, 8 de outubro de 2013
O NOSSO JAZE
Memória do "LAU" um puro amigo SERRA DA ESTRÊLA
Ainda o sol gatinhava
os primeiros raios
quando te vi assim meu amigo
de olhos turvos
à sombra da oliveira
chorei contigo
mas de nada valeu o nosso choro
Num instante de luz
apareceste trôpego
mas chegaste
ao teu sítio preferido
junto à aparelhagem de sons
fotografaste a casa e morreste
Ladrei em surdina
fiquei de rastos
a ouvir o nosso jaze
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
AINDA HOJE TE CHAMO ESCARPA
"CHÃO DE CLARIDADES" colectânea (2008/2012)
Inesperada uma lágrima
na rebentação das águas
fez-me andar eternidades
silêncios de carne e osso
à pergunta dos teus relâmpagos
inverosímil lá estavas
íntegra
a dedilhar uma pedra
nos passos da areia
num afago de mãos
a colher o perfume silvestre
das maresias
tinhas um cristo
cruxificado nos olhos
e eu não sabia
se te chamavas pedra
barco flor ou pássaro
ainda hoje te chamo escarpa
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