segunda-feira, 22 de outubro de 2012

ROSA DE SAL





Neste chão de ressonâncias
marés vivas
marnotos
marinhas valentes
e outros relâmpagos
transportámos
um sol de mãos cheias
à cintura um mar de sargaços

Nus de tudo
soprámos o espinho
que nos sangrava as pétalas

descobrimos as mãos
e os lábios
ao entardecer

dulcíssimos
oferecemos ao rio
uma rosa de sal


 

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

MANUEL ANTÓNIO PINA



Morreu um Homem

mas não morreu o Poeta

Não deixemos morrer os nossos mortos

 

terça-feira, 16 de outubro de 2012

PRESOS A UM SOPRO DE VENTO






Na véspera dos relâmpagos
os pássaros são eternos
conforme os apeadeiros

renascem ao som da folhagem
oferecem o corpo inteiro
e o desejo

pestanejam vírgulas
lábios remos e passos
numa cadência de asas

Na véspera dos relâmpagos
o mar organiza outros azuis
utopias em movimento

amplas claridades

sem âncoras nem limites
como nós
presos a um sopro de vento



 

terça-feira, 9 de outubro de 2012

SEM DONO NEM DESTINO





Trago à palavra
a queda de uma folha

Estava a vê-la
transportar desamores
à pergunta de um sopro
que a libertasse do galho da videira

Foi hoje
pé ante pé
no torpor do sono

Sem dono nem destino
simplesmente caíu
para alumiar o chão
onde se deita

 

terça-feira, 2 de outubro de 2012

UM CHÃO DE ESTRELAS





Solta de cores
participa espontânea
na construção de linguagens
a preto e branco

No Outono a minha árvore preferida
fica mais leve de palavras
chega a passo
desnuda-se da folhagem
para desafiar o vento
a soletrar hinos incomensuráveis
pelos dedos

vem habitar
um chão de estrelas