skip to main |
skip to sidebar
Neste chão de ressonâncias
marés vivas
marnotos
marinhas valentes
e outros relâmpagos
transportámos
um sol de mãos cheias
à cintura um mar de sargaços
Nus de tudo
soprámos o espinho
que nos sangrava as pétalas
descobrimos as mãos
e os lábios
ao entardecer
dulcíssimos
oferecemos ao rio
uma rosa de sal
Morreu um Homem
mas não morreu o Poeta
Não deixemos morrer os nossos mortos
Na véspera dos relâmpagos
os pássaros são eternos
conforme os apeadeiros
renascem ao som da folhagem
oferecem o corpo inteiro
e o desejo
pestanejam vírgulas
lábios remos e passos
numa cadência de asas
Na véspera dos relâmpagos
o mar organiza outros azuis
utopias em movimento
amplas claridades
sem âncoras nem limites
como nós
presos a um sopro de vento
Trago à palavra
a queda de uma folha
Estava a vê-la
transportar desamores
à pergunta de um sopro
que a libertasse do galho da videira
Foi hoje
pé ante pé
no torpor do sono
Sem dono nem destino
simplesmente caíu
para alumiar o chão
onde se deita
Solta de cores
participa espontânea
na construção de linguagens
a preto e branco
No Outono a minha árvore preferida
fica mais leve de palavras
chega a passo
desnuda-se da folhagem
para desafiar o vento
a soletrar hinos incomensuráveis
pelos dedos
vem habitar
um chão de estrelas