Quando te despiste em flor
e revelaste a nudez
Abril despontou
não por dádiva dos céus
conforme as estações
nem pela fragilidade das sombras
muito menos porque o mar entendeu
ser uma plasticidade de azuis
Tão só porque trazias musical
o sangue tatuado
a noção de um rio
que se demora nas margens
Foi assim inocente
numa povoação de rotas e pontes
que te desnudaste
até à vertigem dos poentes amovíveis
Ainda hoje
de vigília ao improvável
aqui tão perto dos mastros
onde dardejam as nossas asas
apetece aflorar-te os lábios
com os lábios





