René MagritteTalvez por excesso de sonhos
acordei-te na minha escarpa
com sussurros de Primavera
memórias vivas de praias distantes
onde nidificam marés
Sem repouso nem pressas
porque tudo deve ser lento
no teu corpo
acordei-te devagar
para voares mais alto
que as aves no apeadeiro dos mastros
Sem a paciência do vento
a esculpir pedras
nem o sangue da velha araucária
que se renova
quiseste permanecer no cais
ancorada à sombra dos barcos





